ENSAIO

Panoramas Esféricos Subaquáticos

Fotografias e Texto: Marcio Cabral


Os panoramas 360º subaquáticos revolucionaram a fotografia submarina. Foram criados por Scott Highton, fotógrafo pioneiro no uso da tecnologia QTVR (QuickTime Virtual Reality) e IPIX (tecnologia de realidade virtual da IPIX Corporation), em 1994. Eram produzidos com equipamentos analógicos e lentes objetivas retilineares que facilitavam a costura. Tinham, em geral, pouca resolução e não cobriam toda cena ao seu redor.

Estes panoramas foram sendo substituídos por acessórios acoplados em objetivas capazes de produzir imagens 360º com apenas uma exposição. Porém, estes equipamentos continuaram mantendo a característica de baixa resolução e ainda não era possível visualizar toda a cena. São denominados panoramas esféricos.

Na virada do século, houve uma grande evolução nas imagens em 360º com o surgimento de programas de visualização em Flash e softwares panorâmicos capazes de costurar e corrigir as distorções complexas de imagens obtidas através lentes fisheye (olho de peixe). Estas cobrem uma área muito maior, diminuindo a quantidade de imagens necessárias à emenda e facilitando a criação dos panoramas e o tempo gasto com suas costuras. Este desenvolvimento possibilitou a construção de panoramas VR 360º x 180º ou imagens esféricas que se diferenciam por ser possível ver tudo ao seu redor, incluindo o que esta acima e abaixo. São comumente chamados de tours virtuais.

Thomas Ley publicou, em 2002, o primeiro tour virtual subaquático feito com equipamento digital. Os softwares e sensores digitais não eram muito evoluídos, resultando em imagens de baixa resolução, contraste e qualidade. Apenas em dezembro 2005, Ley introduziu nas Maldivas (um pequeno país insular situado no Oceano Índico a sudoeste do Sri Lanka e da Índia, ao sul do continente asiático) os primeiros panoramas 360º subaquáticos cilíndricos, com boa qualidade de visualização.

Em 2008, Richard Chesher, com mais de 50 anos de experiência em fotografia submarina, começou a desenvolver panoramas esféricos subaquáticos em alta resolução nos magníficos corais da ilha privada de Bokissa, na Melanésia. Chesher é atualmente o maior especialista no assunto e é também o fotógrafo que possui o maior acervo de tours virtuais subaquáticos disponíveis na internet.

Nos últimos anos surgiram novos fotógrafos mergulhadores que desenvolveram técnicas próprias para conseguir executar panoramas esféricos subaquáticos.

Os tour virtuais são muito mais difíceis de serem executados em ambiente subaquático. Isto se deve a grande dificuldade em costurar as imagens subaquáticas. A luz sofre uma difração na água, modificando a posição do ponto nodal e focal. Isso modifica a visualização da imagem, tornando muito complexa a execução das emendas com êxito. O reflexo e movimento gerados na superfície da água dificultam ainda a mais a emenda que, por não serem pontos estáticos, são modificados a cada momento.

Por ser um tipo de imagem muito específica, não existem softwares especializados em panoramas subaquáticos, tampouco equipamentos disponíveis para executá-los, os quais são geralmente desenvolvidos pelos próprios fotógrafos. Isto explica porque até hoje existem poucos fotógrafos que conseguiram desenvolver panoramas esféricos subaquáticos com certo êxito.

Basicamente, os únicos que possuem uma série de trabalhos publicados são: Dan Burton, Ivan Roslyakov, Rick Drew, Aloha Dean, Hanz Nyberg e Andre de Molenaar.

Marcio Cabral publica os primeiros tours virtuais subaquáticos produzidos no Brasil

O fotógrafo brasileiro Marcio Cabral entrou recentemente neste time quando introduziu os primeiros panoramas esféricos subaquáticos no Brasil, em 2010. Inspirado nas técnicas criadas pelo mestre Chesher, Cabral desenvolveu seus primeiros VR subaquáticos adicionando em seus panoramas o tratamento HDR (High Dinamic Range), no qual é especialista desde 2006. Com a utilização do HDR, os panoramas subaquáticos ganham ainda mais vida, riqueza de detalhes e profundidade de cores, simulando a visão humana.

O local escolhido foi uma das mais fabulosas nascentes de águas cristalinas do mundo, localizada no Recanto Ecológico Rio da Prata, em Bonito/MS. Os panoramas da Nascente Olho D’Água são os primeiros tours virtuais subaquáticos produzidos no Brasil. São, também, os primeiros feitos em água doce e com renderização HDR no mundo!

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Sobre Marcio Cabral

O fotógrafo brasiliense Marcio Cabral teve seu primeiro contato com a fotografia em 1996. Especializou-se em fotografia de paisagem, atividade que se tornou sua paixão. Ao longo destes anos ganhou um grande reconhecimento e suas imagens panorâmicas têm recebido Prêmios e Menções Honrosas em competições importantes como a Sony WPA, Maria Luiza, Oasis, Epson Panoawards e Loupe Awards. Foi o pioneiro na introdução da técnica HDR (High Dynamic Range) no Brasil. É considerado um dos cinco melhores do mundo em fotografia panorâmica. Foi, também, o primeiro brasileiro a produzir panoramas 360º subaquáticos. Hoje, Marcio dedica-se a produzir imagens para impressões de arte em expedições fotográficas no Brasil e outros países.

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