» Texto por Adri Alves (*)
Todos dizem que fama e riqueza são ingredientes indispensáveis e agradáveis do ponto de vista do reconhecimento, mas... não foi por isso que passaram noites acordados desenvolvendo projetos, trabalhando em feriados e fins de semana e estudando sem parar.
A pesquisa publicada no livro "Talentos Brasileiros - Saiba o que eles têm em comum" (Negócio Editora, 2002), da administradora, empresária e pesquisadora Flávia Pacheco, com depoimentos de mais de cinqüenta brasileiros que atingiram posições de destaque, mostra que o desejo de ganhar dinheiro não é a principal mola propulsora na carreira de pessoas bem-sucedidas, e muito menos a busca de sucesso e poder.
Exemplos
Personalidades como o banqueiro Roberto Setúbal, o tenista Gustavo Kuerten, o médico e escritor Roberto Shinyashiki, o industrial José Gerdau, entre outras, já têm dinheiro suficiente para alimentar várias gerações e continuam tão empenhadas como antes, quando ainda eram anônimas.
"Sempre fiz aquilo de que gosto", afirma Maria Sílvia Bastos Marques, uma das mulheres mais bem remuneradas do Brasil, que já foi presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), secretária de Fazenda do município do Rio de Janeiro, consultora em empresas como Embratel e Varig, e que hoje em dia preside a Icatu Hartford.
"Todo mundo nasce para fazer alguma coisa, mas são poucos os que têm a sorte de descobrir qual é essa coisa. Tive a sorte de descobrir muito cedo qual é a coisa para qual eu sirvo", diz Washington Olivetto, o mais premiado publicitário brasileiro.
A médica Zilda Arns Neumann por sugestão de seu irmão, o Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, em 1983 iniciou um dos programas de saúde pública mais aplaudidos no mundo: a Pastoral da Criança. Em 2002 foi indicada por seu trabalho ao Prêmio Nobel da Paz e conta que sempre que visita uma comunidade pela primeira vez faz questão de perguntar aos líderes - todos voluntários - se estão felizes naquela atividade. "Quase todos dizem que sim. Então, eu sei que seremos bem-sucedidos pois eles têm prazer em trabalhar".
Qual é o segredo?
Para os bem-sucedidos, trabalhar não é sacrifício e o resultado financeiro é simples conseqüência.
Pesquisas sobre o que se deve fazer para alcançar o sucesso costumam evocar os seguintes argumentos:
» É preciso trabalhar duro,
» descobrir seu talento,
» estar no lugar certo na hora certa,
» ser intuitivo.
Tudo isso deveria ser aprendido na escola, mas a maioria das instituições ainda não encontrou uma maneira de ajudar os alunos a encontrar sua vocação.
De um lado, a imensa maioria dos estudantes se deixa influenciar pelos pais e amigos ou opta pelo que está na moda. De outro, pessoas não tem qualquer tipo de formação planejada... Em todo caso: se não há satisfação na atividade exercida, todos tenderemos a ser profissionais medíocres e infelizes.