A FAMÍLIA PDF/X


» Texto por Bruno Mortara (*)

 

 

Introdução

 

Como se sabe o PDF/X é um padrão criado pela ISO é uma norma que tem diversas partes como veremos a seguir. O PDF/X foi criado para permitir a troca de arquivos digitais de maneira confiável e com resultados previsíveis, na indústria gráfica. Com a recente incorporação destes padrões nas aplicações mais importantes do mercado - Adobe Photoshop, Adobe InDesign, Adobe Illustrator, QuarkXpress, CorelDraw, Adobe Acrobat, entre outros, os olhares do mercado se voltaram para o PDF/X com grande interesse.

 

Desde seu lançamento, o padrão se desenvolveu em duas vertentes principais: o PDF/X-1a e o PDF/X-3. O primeiro destinado a fluxos de trabalho CMYK e cores especiais, e o segundo a fluxos de trabalho mais sofisticados, isto é, com gerenciamento de cores. Há também o PDF/X-2 que se destina a fluxos de trabalho com OPI, isto é, substituição de arquivos em tempo de impressão, mas não houve implementações deste padrão na indústria de software.

 

Devido ao grande interesse pelo PDF/X-1a a ABTG, além de adotá-lo como padrão nacional equivalente ao internacional, criou uma cartilha com boas práticas de mercado. A cartilha do PDF/X-1a teve um sucesso estrondoso se colocando como uma preciosa ferramenta de evangelização, fazendo com que o padrão fosse adotado de maneira ampla por todo o Brasil. Isso confirma aquilo que se deu em outros mercados onde as Normas Internacionais vêm para regular o mercado e divulgar as boas práticas e fluxos de trabalho, facilitando a vida de clientes e fornecedores, otimizando a industria, reduzindo despesas e gerando mais lucros.

 

O próximo passo no caminho é a adoção do PDF/X-3, especificação 2001, com suporte a fluxos com gerenciamento de cores e PDF versão 1.3. A ABTG irá lançar no primeiro semestre uma cartilha de boas práticas de mercado para o padrão PDF/X-3, a fim de impulsionar esta norma e proporcionar os recursos instrucionais e organizacionais de que o mercado certamente necessita. Em seguida será traduzida a norma PDF/X-1a especificação 2003, padrão destinado a fluxos de trabalho CMYK e cores especiais, porém com suporte a PDF versão 1.4 em vez de 1.3.

 

Cada uma destas normas é uma das “partes” da família PDF/X que é resumida no quadro abaixo, com seus títulos originais:



Tabela 1 - As partes da norma ISO 15930


ISO 15930 Graphic technology - Prepress digital data exchange using PDF:


Part 1: Complete exchange using CMYK data (PDF/X-1 and PDF/X-1a)
;


Part 3: Complete exchange suitable for colour-managed workflows (PDF/X-3)
;


Part 4: Complete exchange of CMYK and spot colour printing data using PDF 1.4 (PDF/X-1a)
;


Part 5: Partial exchange of printing data using PDF 1.4 (PDF/X-2)
;


Part 6: Complete exchange of printing data suitable for colour-managed workflows using PDF 1.4 (PDF/X-3);


Part 7: Complete exchange of printing data using PDF 1.6 (PDF/X-4)
;

Part 8: Partial exchange of printing data using PDF 1.6 (PDF/X-5)
.



Uma dúvida que surge sempre que falamos das normas baseadas em PDF é de como fica a “corrida” contra o relógio para se ter uma norma na mesma versão da última especificação do PDF da Adobe? As normas PDF/X, publicadas no Brasil estão na versão 1.3 e a especificação PDF da Adobe que já está na versão 1.7, com o Acrobat 8. Este descompasso trás uma sensação de que as normas estão “ultrapassadas”! Porém é só observar a realidade das práticas comerciais – como se devem preparar os arquivos para serem entregues a revistas e jornais pelo mundo, que constatamos que não serve em nada o software usar recursos avançadíssimos e o mercado não adotá-los, por saber que geram arquivos que ainda não são confiáveis.

 

Mas a ISO continua impulsionando a família PDF/X e seus novos membros são o PDF/X-4 e o PDF/X-5, a serem publicados ainda em 2007. Vamos dar uma olhada naquilo que vem pela frente mesmo sabendo que o mercado brasileiro ainda está tendo que dar seus primeiros passos em direção ao gerenciamento de cores com o PDF/X-3. Abaixo se encontra uma tabela com as principais características das diferentes partes da norma PDF/X.

 

Tabela 2 - As características da “família” PDF/X

Nível de
Confor-midade

Parte desta Norma Interna-cional

Troca Completa

Dados com
Gerencia-mento de Cores

Versão de PDF

Espaços de Impressão Caracte-rizados

PDF/X-1:2001

1

Sim

Não

1.3

CMYK

PDF/X-1a:2001

1

Sim

Não

1.3

CMYK

PDF/X-1a:2003

4

Sim

Não

1.4

CMYK

PDF/X-2:2003

5

Não

Sim

1.4

Gray, RGB, CMYK

PDF/X-3:2002

3

Sim

Sim

1.3

Gray, RGB, CMYK

PDF/X-3:2003

6

Sim

Sim

1.4

Gray, RGB, CMYK

PDF/X-4

7

Sim

Sim

1.6

Gray, RGB, CMYK

PDF/X-5

8

Não

Sim

1.6

Gray, RGB, CMYK, N-colorant




O PDF/X-3

 

Este padrão é o mais recente padrão adotado no mercado brasileiro. Primeiramente é necessário afirmar que uma vez adotado o PDF/X-3 não significa que o PDF/X-1a deva ser abandonado ou fica obsoleto. Os formatos PDF/X-1a e PDF/X-3 são complementares e cada padrão achará seu nicho no mercado. O importante é que fluxos de trabalho com gerenciamento de cores (que requerem o PDF/X-3) são bem mais complexos, exigem profissionais mais treinados, equipamentos mais bem calibrados e sistemas atualizados para que funcione adequadamente.

 

É importante assinalar que no mundo todo, principalmente na Europa onde o padrão é amplamente adotado, assim que os profissionais e empresas passam a adotar o padrão com boas práticas, ninguém deseja mais voltar ao “velho” padrão CMYK, ou seja, o PDF/X-1a. Portanto é duro começar, mas uma vez implementado, suas vantagens são evidentes: flexibilidade, possibilidade de provas remotas com qualidade, reorientação de trabalhos de uma tecnologia de impressão para outra sem maiores problemas, e uma divisão das responsabilidades quanto a qualidade das cores finais obtidas. Sabe-se que para isso cada segmento da cadeia produtiva deve estar preparado: o designer deve ter seus monitores calibrados, o bureau (ou gráfica) dever ter seu sistema de digitalização calibrado assim como seu sistema de provas e a gráfica devem ter suas máquinas calibradas e caracterizadas para poder, na gravação do CTP, compensar as especificidades de cada equipamento / processo.

 

No quesito de espaços de cor o fluxo de trabalho fica um pouco mais complexo que no fluxo de trabalho CMYK: são permitidos elementos com os seguintes espaços de cor: dados definidos “colorimetricamente” ou como um perfil ICC – “ICCBased colour space” ou como CalGray, CalRGB ou Lab. Dados definidos “numericamente” podem ser definidos nos espaços de cor DeviceRGB, DeviceCMYK, DeviceGray, Separation, e DeviceN. Porém é preciso saber, ao se “fechar” um arquivo em PostScript ou PDF, de que maneira minha aplicação irá codificar as cores, se há duotones, DCS2, e outras complicações mais. Sabemos que a coisa é bastante fácil enquanto lidamos com CMYK e PDF/X-1a mas, ao entrarmos no mundo das cores definidas colorimetricamente, é preciso verificar bem o resultado daquilo que estamos fazendo. Caso contrário os resultados serão diferentes do esperado e não saberemos o que foi que fizemos de errado para que isso tenha ocorrido.

 

Como vimos a adoção dessa norma é mais trabalhosa e requer comunicação e acerto entre os diversos elos da cadeia produtiva. Tem ainda, como fator complicador, a difusão das responsabilidades entre os diversos envolvidos na produção da peça gráfica. Se algo não funcionar como deveria fica mais complicado saber onde foi que aconteceu o erro. É por estas razões que o PDF/X-3 requer uma cartilha e também por isso que o PDF/X-1a ainda estará conosco por bastante tempo.


(*) Bruno Mortara - É consultor da ABTG - Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica e membro da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. É representante do Brasil na comissão internacional da ISO dedicada à padronização de formatos eletrônicos para conservação de documentos e a normas técnicas para o segmento gráfico. Diretor da Prata da Casa (www.pratadacasa.com.br), um bureau de finalização que tem mais de quinze anos de experiência na área de pré-impressão digital.


 
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